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Conversas sobre Psicodrama

Psicodrama na Educação: Ensino Superior

No ensino superior, o Psicodrama transforma a sala de aula em espaço de experimentação, criação coletiva e aprendizagem viva.

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12 de agosto de 20267 min de leitura
Psicodrama na Educação: Ensino Superior

O Psicodrama, criado por Jacob Levy Moreno, vem sendo cada vez mais reconhecido como uma potente metodologia para o ensino superior, especialmente na formação em Psicologia e em áreas voltadas ao cuidado humano. Mais do que uma técnica terapêutica, o Psicodrama constitui um modo de olhar para os processos de aprendizagem.

Aula viva

Na universidade, o Psicodrama pode transformar a sala de aula em um espaço de experimentação, criação e construção coletiva do conhecimento. Vivências, dramatizações, jogos dramáticos, aquecimentos e atividades grupais favorecem uma aprendizagem mais integrada, na qual teoria e prática deixam de estar separadas.

Os estudantes não apenas estudam conceitos: eles os experimentam na relação consigo mesmos, com o grupo e com o mundo.

Aprender sem sofrimento

Os relatos apresentados no trabalho "Nos caminhos de Nínive: experimentações do Psicodrama na Universidade", da professora Daniela de Figueiredo Ribeiro, mostram que os estudantes percebem as aulas psicodramáticas como experiências profundamente significativas.

Muitos relatam que aprenderam "sem sofrimento", sentindo-se mais livres para pensar, criar, participar e se expressar. Outros descrevem que as vivências ajudaram a diminuir ansiedade, ampliar a compreensão das diferenças e fortalecer vínculos grupais.

Autenticidade e cooperação

Outro aspecto importante é o desenvolvimento da espontaneidade e da autenticidade. Em um contexto universitário frequentemente marcado pela pressão, pelo desempenho e pela reprodução de conteúdos, o Psicodrama abre espaço para a escuta sensível, para o encontro humano e para a expressão das singularidades.

Os estudantes relatam experiências de pertencimento, acolhimento e maior liberdade para serem quem são, sem o peso constante das máscaras sociais e acadêmicas.

Pesquisa e supervisão

O Psicodrama também favorece o funcionamento saudável dos grupos. Ao trabalhar relações interpessoais, comunicação, cooperação e conflitos, cria-se um ambiente mais colaborativo e menos competitivo.

Além da docência, o Psicodrama pode contribuir na pesquisa acadêmica e na supervisão de estágios. O trabalho grupal favorece processos cooperativos de produção de conhecimento, maior implicação ética dos pesquisadores e uma escuta mais sensível das experiências humanas.

Em tempos em que muitas instituições de ensino ainda reproduzem modelos excessivamente rígidos e distantes da experiência humana, o Psicodrama surge como uma possibilidade de devolver vida ao processo educativo. Aprender deixa de ser apenas acumular informações e passa a significar experimentar, criar, refletir, encontrar-se e transformar-se.